OMPI publica o “Global Innovation Index” de 2022
Em setembro deste ano foi publicada a 15ª edição do "Global Innovation Index" da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Trata-se de estudo que mensura e analisa os ecossistemas de inovação de 132 países (com base em 81 indicadores) e busca identificar as tendências globais mais recentes em matéria de inovação.
O tema do estudo de 2022 foi "What is the future of innovation-driven growth?" e a análise realizada teve como foco os efeitos da inovação em três áreas principais: produtividade, crescimento econômico e bem-estar social. O estudo também considerou o cenário de continuidade da pandemia de Covid-19 e o surgimento de novos desafios em escala global.
Segundo o Diretor Geral da OMPI, Daren Tang, um dos principais objetivos do Global Innovation Index é "ajudar todos os países, independentemente de seu estágio de desenvolvimento, a fortalecer seu ecossistema de inovação. Mais do que um guia de referência, o GII se consolidou como uma poderosa ferramenta para a formulação e desenvolvimento de políticas favoráveis à inovação".
O topo do ranking mundial desta edição do Global Innovation Index foi ocupado por Suíça, Estados Unidos e Suécia, os quais foram seguidos por Reino Unido, Holanda, Coreia do Sul, Singapura, Alemanha, Finlândia e Dinamarca. A China figura como a 11ª colocada do referido ranking, havendo expectativa de ingressar na lista das 10 economias mais inovadoras do mundo.
Quanto ao Brasil, o país avançou três posições em relação ao estudo de 2021 e, atualmente, ocupa a 54ª colocação do ranking mundial. Apesar de ainda estar aquém da sua melhor marca já atingida (a 47ª colocação, conquistada em 2011), o Brasil possui uma posição de destaque em relação aos demais países de sua região. Considerando somente a América Latina e o Caribe, o Brasil figura na 2ª posição do ranking, ficando atrás apenas do Chile.

O resultado final de cada país no ranking mundial é obtido a partir da média de dois subíndices:
"Insumos de Inovação", que analisa itens da economia que viabilizam e auxiliam no desenvolvimento de atividades inovadoras, agrupados em (i) instituições, (ii) capital humano e pesquisa, (iii) infraestrutura, (iv) sofisticação do mercado e (v) sofisticação empresarial; e
"Produtos de Inovação", que considera os reais efeitos das atividades inovadoras na economia, divididos em (i) produtos de conhecimento e tecnologia e (ii) produtos criativos.
Dessa forma, analisando-se a posição do Brasil em cada um dos subíndices, tem-se que o país caiu 2 posições em "Insumos de Inovação" (saindo do 56º para o 58º lugar) e subiu 6 posições em "Produtos de Inovação" (passando do 59º para o 53º lugar). Dentre os fatores para o avanço considerável do Brasil em "Produtos de Inovação", podemos citar as melhorias com relação a produtos criativos (especialmente ativos intangíveis e criatividade on-line), bem como sua posição de destaque em indicadores como registro de marcas (19ª colocação) e criação de aplicativos móveis (34ª colocação).
Por fim, destacamos algumas conclusões gerais do Global Innovation Index que consideramos relevantes:
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e outros investimentos que estimulam atividades inovadoras em escala global continuaram a crescer em 2021, apesar da pandemia de Covid-19.
As empresas que mais investiram em P&D em 2021 ampliaram esses gastos em quase 10%, superando a marca de 900 bilhões de dólares no referido ano. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelos setores de: equipamentos de tecnologia da informação e da comunicação; software e serviços de tecnologia da informação e da comunicação; produtos farmacêuticos e biotecnologia; além de construção e metais industriais.
As operações de "venture capital" tiveram um aumento expressivo de 46% em 2021, o que pode ser comparado aos níveis recordes obtidos com o boom da Internet no fim dos anos 1990. As regiões que registraram maior crescimento em operações de "venture capital" foram América Latina & Caribe e África.
>>> Este artigo foi escrito por nossos associados da área de Propriedade Intelectual: Pedro Tavares e Camila de Oliveira Lanor.