A corrida das grandes empresas brasileiras em busca do crédito rotativo
Em complemento a diversas alternativas para mitigar os impactos da COVID-19 no Brasil, a busca crescente pela linha de crédito rotativo ("credit revolving facility") ganhou espaço entre as grandes organizações do país.
Nas últimas semanas, Petrobras, Suzano e Vale já recorreram a este dispositivo, buscando garantir liquidez durante a crise. Juntos, os valores dos recursos solicitados pelas empresas somam aproximadamente 70 bilhões de reais.
Esse tipo de crédito funciona como uma alternativa à captação de recursos em mercado de capitais ou até mesmo de linha bancária tradicional, onde a empresa paga uma taxa de manutenção pela existência da linha e pode sacar ao longo do prazo do contrato, com duração média de cinco anos.
A praticidade e a agilidade para realizar os saques, que podem ser totais ou parciais, são algumas das características que mais chamam atenção das empresas que buscam a utilização deste recurso, afinal, basta notificar os bancos 48 horas antes da retirada. Caso as companhias não utilizem todo o recurso tomado em determinado período, podem devolvê-lo aos bancos e voltar a pagar somente a taxa de manutenção sobre aquele montante.
É importante lembrar que, no Brasil, apenas dez organizações possuem este modelo de linha de crédito disponível, dentre elas estão Klabin, Gerdau e Votorantim.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, nossa sócia de Mercados Financeiro e de Capitais Camila Goldberg comentou sobre as alternativas que as companhias podem buscar para mitigar os impactos econômicos decorrentes da pandemia.
"As empresas estão avaliando as alternativas de liquidez. Uma delas é a linha de crédito rotativo, para quem já tinha previamente negociado, outra é o BNDES, que tem preocupação com setores específicos nesse primeiro momento, como o segmento de pequenas e médias empresas", comentou Camila.
Nossa especialista também analisou o caso das companhias que não possuíam linhas garantidas a custo baixo e que mudaram suas projeções de fluxo de caixa, e ressaltou a alternativa de renegociar os créditos existentes como uma outra forma de manter a liquidez.
"As renegociações serão bancárias, mas também com investidores. Talvez a empresa não precise de dinheiro novo, mas precise reduzir o impacto de caixa alongando pagamento de juros, amortizações de debêntures e parcelas de empréstimos", completou acerca do tema.
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