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Captação de recursos econômicos durante a pandemia

20.04.2020 2 minutos de leitura

​As perspectivas para 2020 eram favoráveis. Tudo indicava que seria o melhor período para ofertas no mercado de capitais brasileiro desde 2007, quando 64 empresas abriram capital no país iniciando uma era de liquidez nunca antes vista por aqui.

Porém, desde o início da pandemia do Coronavírus no país, o Ibovespa enfrenta fortes turbulências.  A bolsa passou por seis circuit breakers em um intervalo de oito pregões e o índice encerrou março de 2020 com a desvalorização de 29,91%. No primeiro trimestre, o Ibovespa teve a maior desvalorização da história para um período de três meses, uma queda de 36,85. 

Frente a este cenário, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não mediu esforços para auxiliar as companhias durante o período de crise. Até agora, percebeu-se uma movimentação que buscou flexibilizar algumas exigências por meio da Deliberação 852. 

Alguns especialistas refletem que ainda há esperanças. Afinal, metade das companhias de capital aberto possuem recursos suficientes para sobreviver a 3 meses sem faturamento. 

Em contrapartida, sem poder ganhar liquidez no mercado de capitais, diversas companhias recorrem a linhas de crédito bancário para reforçar seus recursos. Grandes empresas como Petrobras, Vale e Suzano, juntas, já somam, aproximadamente, 70 bilhões de reais em crédito rotativo. 

A acessibilidade para solicitação de recursos aos bancos é fácil, porém custoso às organizações. Em negócio fechado nos últimos dias de março com o Bradesco, a rede de laboratórios Fleury anunciou ter conseguido 400 milhões de reais por meio de notas promissórias, pagando CDI mais spread de 2,94% ao ano. Em cédulas de crédito bancário (CCB) com o Santander foram 150 milhões de reais, pelos quais vai pagar CDI mais 4,55% anuais. 

Em entrevista ao Capital Aberto, nossa sócia da área de Mercados Financeiro e de Capitais Camila Goldberg comentou sobre o caso e destacou duas tendências no mercado de dívidas em meio à crise: spreads mais altos e a opção por notas promissórias. “As notas promissórias, que sempre foram um instrumento pouco utilizado no mercado, agora se tornaram atrativas porque tanto credores quanto tomadores de dívida buscam prazos mais curtos. Acredito que algumas empresas que se preparavam para estruturar debêntures devem começar a olhar mais atentamente para essa alternativa”, afirmou. 

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