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Transformação Digital e perspectiva do mercado jurídico pós pandemia

16.04.2020 3 minutos de leitura

​Como será o mundo pós pandemia? O mercado jurídico continuará igual? Esses são alguns dos questionamentos mais provocantes no cenário atual. De fato, já vemos indícios de mudanças, e alguns processos burocráticos podem deixar de fazer parte da rotina dos profissionais. 

Como nos demais setores, o mercado jurídico sofre o impacto da pandemia. Em meio a tantas incertezas, grande parte das operações tendem a estagnar. Por outro lado, algumas transações fechadas no país, mesmo durante a crise, criam uma nova perspectiva para as mudanças que podem ocorrer no futuro.

A aquisição da fintech ZUP pelo Itaú e o acordo de financiamento entre a TruckPad, aplicativo que conecta caminhoneiros às cargas, e o investidor chinês Full Truck Alliance, são exemplos disso. O BMA teve participação nessas duas operações, assessorando a ZUP e a TruckPad.

Em entrevista ao Latin Lawyer, nossa sócia de Digital e Novas Tecnologias, Fabiana Fagundes, que liderou a equipe em ambos os negócios, disse que as transações tinham características particulares, permitindo que elas fossem acordadas mesmo durante a pandemia. 

A primeira é que ambos os negócios envolviam investimentos promissores na indústria de tecnologia, cujo potencial de desenvolvimento provavelmente foi fortalecido pela crise. Outro fator é que ambos os negócios não exigiram uma fase de integração pós-fusão, o que seria extremamente desafiador durante a quarentena.  

Além dessas características, as operações só foram viáveis pela implementação do fluxo de soluções tecnológicas e legislativas.  Durante a entrevista, Fabiana também comentou sobre o uso das plataformas de videoconferências. “Costumávamos ficar presos em intermináveis reuniões com até 15 advogados trancados em uma sala, mas o processo on-line era muito menos cansativo. Tudo o que acontece na sua tela faz com que você se concentre, o que foi muito mais eficiente para todos “, afirmou.

No âmbito legislativo, ao mesmo tempo em que são regulamentadas novas medidas para facilitar o andamento das operações e da economia do país, ainda sofremos com normas antigas que continuam válidas no contexto atual. 

Também em entrevista ao Latin Lawyer, nosso advogado de Societário e M&A, Carlo Rocha, exemplificou o entrave legislativo.  “Por exemplo, o estado de São Paulo possui uma lei da década de 1970 que exige que todos os acordos de acionistas sejam mantidos em um livro físico. Não havia maneira de contornar isso. Tivemos que enviar o livro a cada uma das partes, por isso estabelecemos um prazo para a coleta das assinaturas - aplicando álcool gel depois de manusear o livro, é claro”, declarou. 

Da perspectiva de Fabiana, a maioria das práticas inovadoras, e o uso de recursos tecnológicos permanecerá após o fim da pandemia. Nossa especialista ainda ressalta que o cenário atual pode ajudar a convencer os profissionais mais tradicionais, que questionam a confiabilidade, segurança e efetividade das ferramentas digitais.

Em contraponto, a advogada também destaca que depois de semanas ou meses em quarentena “as pessoas vão querer ir ao escritório e se encontrar pessoalmente”, afinal "Faz parte de quem somos como humanos”, analisou. 

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