BMA Advogados
Publicações

Como funciona a advocacia pro bono? Entenda como ela gera impacto social

16.03.2020 5 minutos de leitura
​A função social do advogado é proteger os direitos e as garantias fundamentais dos cidadãos, participando de forma ativa da construção de uma sociedade mais igualitária e justa. Na prática, isso pode se expressar de diferentes modos. O principal deles é por meio da advocacia pro bono, que promove a inclusão dos menos favorecidos.

O termo "pro bono" vem do latim e significa "para o bem", ou seja, é a advocacia como trabalho social. A sua principal função é ajudar a garantir o acesso universal dos cidadãos à Justiça.

Desse modo, este artigo apresenta como funciona essa prática no Brasil, tendo em vista a sua enorme repercussão social, uma vez que, atuando gratuitamente, advogados conseguem ofertar a Justiça a todos os cidadãos. Continue a leitura e saiba mais!


Como funciona a advocacia pro bono?


A advocacia pro bono é uma pratica secular no Direito. Ela já estava prevista em constituições anteriores, mas foi a Constituição Federal de 1988 que trouxe mais garantias à população de baixa renda e às organizações sem fins lucrativos.

De acordo com a definição do artigo 30 da Resolução nº02/2015 do Conselho Federal da OAB, é considerada advocacia pro bono:

“A prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos em favor de instituições sociais sem fins econômicos e aos seus assistidos, sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a contratação de profissional.

Parágrafo único. A advocacia pro bono pode ser exercida em favor de pessoas naturais que, igualmente, não dispuserem de recursos para, sem prejuízo do próprio sustento, contratar advogado”.

Portanto, pode-se concluir que a advocacia pro bono é um serviço jurídico gratuito oferecido por advogados em favor de hipossuficientes econômicos — sejam eles pessoas físicas ou jurídicas.

Além disso, a OAB entende que o profissional que realiza a advocacia pro bono se dedicará com o mesmo empenho aplicado nas causas remuneradas. Inclusive, essa atividade é regulamentada pelo Código de Ética e Disciplina da OAB. Há um capítulo exclusivo para orientá-los sobre essa questão, tamanha sua importância e seu benefício para a sociedade e para a profissão.

No entanto, antes de aprofundarmos mais sobre o tema, é importante lembrarmos que advocacia pro bono não é o mesmo que assistência jurídica gratuita. Essa última é uma obrigação do governo, prevista na Constituição Federal, que dispõe que todo cidadão que se enquadrar nos critérios de atendimento tem direito à defesa custeada pelo Estado.

Isso pode ser feito tanto na forma de um advogado dativo ou de um defensor público quanto pela gratuidade dos valores que se acumulam durante o andamento do processo.

Quem pode ser beneficiado com a advocacia pro bono?


De acordo com o capítulo V do Código de Ética da OAB, toda e qualquer pessoa física que não tenha condições financeiras de arcar com os custos dos serviços de um advogado e dos demais valores processuais pode ser beneficiada pela advocacia pro bono.

O mesmo vale para organizações com fins sociais e sem fins lucrativos — o que é o caso, por exemplo, das:

  • Organizações não Governamentais (ONGs);
  • Organizações Sociais (OSs);
  • Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs).
No entanto, a OAB impõe uma restrição. O Conselho da Ordem não permite que advogados prestadores de serviços remunerados a clientes — pessoas físicas ou jurídicas — também atuem pro bono em favor destes.

Quais são as proibições ao exercício da advocacia pro bono?


Por determinação legal da CED-OAB, artigo 30, parágrafo 3º, o exercício da advocacia pro bono não pode ser utilizado para fins político-partidários ou eleitorais. Além disso, é proibida a atuação dessa atividade em prol de organizações que tenham objetivos político-partidários ou eleitorais. Também é vedado o exercício do pro bono como forma de publicidade.

Quem pode exercer a advocacia pro bono?


De modo geral, a advocacia pro bono pode ser desempenhada por advogados regularmente inscritos na OAB, nos termos da lei.

A atuação do estagiário nos projetos pro bono se dá no mesmo formato de qualquer outro serviço jurídico dentro do escritório, acompanhado de um advogado.

Como é o projeto pro bono do BMA?


Com o intuito de apoiar a cultura, a educação e o empreendedorismo, o BMA criou o projeto InspirAção para doar conhecimento e experiência jurídicos em favor de entidades voltadas a transformações sociais profundas e duradouras. Dessa forma, o escritório estruturou a advocacia pro bono como instrumento de acesso a direitos e informações jurídicas pelas ONGs, fundações, etc.

“Criar o programa foi uma decisão do comitê executivo do BMA para institucionalizar as nossas ações em favor do terceiro setor, atuando em duas frentes. A primeira delas é a prestação de serviço jurídico gratuito para associações, institutos e ONGs que se dediquem a valores com os quais nós nos identificamos e valorizamos. A segunda é o voluntariado, focado em instituições e suas ações, para envolver também os integrantes que não poderiam fazer o pro bono”, explica a advogada Lígia Regini, membro do BMA InspirAção e sócia da área de Direito Tributário do escritório.

Os parceiros do pro bono têm à disposição profissionais de diferentes áreas do escritório. “Eles são como qualquer cliente. Nossos integrantes são muito ocupados, focados em diversos projetos, mas todos arrumam um tempo e querem fazer um pouco mais para quem precisa de assessoria”, acrescenta Lígia.

Os advogados do BMA contribuíram com mais de 1.500 horas para a causa pro bono, por meio do InspirAção. “Ajudamos as instituições como um todo. Doamos nossa experiência jurídica para que a entidade se fortaleça e a nossa hora em benefício das ações concretas”, afirma Lígia ao citar as duas frentes do projeto.

Desde 2015, ano em que o projeto foi criado, mais de 360 advogados do escritório prestaram serviço pro bono. Só em 2019 foram aproximadamente 165 integrantes dedicados às demandas jurídicas do InspirAção.

A advocacia pro bono é uma forma que o advogado tem de contribuir para diminuição da desigualdade social de acesso a direitos na sociedade. Para o profissional do Direito, ela pode ser considerada o coração da sua atuação. Além disso, essa prática permite que o profissional adquira conhecimentos típicos do terceiro setor e interaja com diversas pessoas e entidades, ampliando suas experiências.

Conheça mais sobre o InspirAção e saiba como o BMA apoia a educação, a cultura e o empreendedorismo. Leia o nosso artigo!

Este conteúdo tem caráter meramente informativo. Em caso de questionamento jurídico sobre esse tema, entre em contato conosco.



Profissionais relacionados

Lígia Regini

Sócia

Lígia Regini

Agronegócio, Tributário

55 11 2179-5234 lrd@bmalaw.com.br