20 anos dos carros flex no Brasil e os desafios da reinvenção sustentável para a indústria automotiva
No último mês de março, a indústria automotiva comemorou o vigésimo aniversário de lançamento da tecnologia do carro flex, que possibilitou o abastecimento de veículos leves com etanol, gasolina ou uma mistura dos dois combustíveis. Em março de 2003, a Volkswagen apresentava ao mercado nacional a tecnologia até hoje utilizada através do modelo Gol 1.6 Total Flex.[1]
Apesar de a invenção da tecnologia dos carros flex ter sido norte-americana, há quem sustente que a viabilização comercial do produto só foi possível após o trabalho da engenharia brasileira, que criou um modelo matemático de pós-combustão.
A tecnologia, que se tornou frequente no mercado com o passar do tempo, representava bem mais que a simples liberdade de escolha ao consumidor na hora de abastecer. Com falta de combustível nas bombas e grandes variações de preço em razão da crise do petróleo e da inflação sofrida pela população entre as décadas de 1980 e 1990, a tecnologia flex pôs fim à dificuldade e insegurança enfrentada pelos consumidores de carros movidos exclusivamente a álcool ou a gasolina.
Se, há 20 anos, os carros flex surgiram com o propósito de oferecer ao consumidor a opção do combustível mais econômico, hoje, veículos flex representam 85% da frota circulante de veículos leves do Brasil, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).[2] Além disso, os carros flex possuem relevante papel na preservação do meio ambiente, dado o reconhecimento do etanol como um combustível de fonte renovável, auxiliando o cumprimento de metas para descarbonização do setor.
Muito embora a eletrificação da frota de veículos esteja ganhando notoriedade, o investimento pela indústria automobilística brasileira e a adesão do consumidor final aos carros elétricos ainda são considerados tímidos. Para os consumidores, a acessibilidade dos preços dos veículos elétricos e a falta de infraestrutura para condução e abastecimento da frota nas estradas estariam entre os principais desafios. Já para as montadoras, os debates sobre relevantes questões ambientais diante da utilização das baterias de lítio nos carros elétricos, a necessidade de adaptação das normas, a criação de incentivos fiscais, investimentos em infraestrutura e a incerteza sobre a longevidade da frota a partir do uso da tecnologia incrementariam a maior simpatia do público consumidor, ao menos por ora, aos carros flex.
Atenta às especificidades inerentes aos veículos elétricos, e diante da relevância conquistada pelos carros flex, não seria desarrazoado antever que, em futuro próximo, quiçá antes de novo vintenário, a indústria automotiva brasileira alcançará soluções de convívio entre diferentes fontes de abastecimento da frota de veículos em circulação no Brasil.
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[1] Ver <https://autoesporte.globo.com/industria/noticia/2023/03/jeitinho-brasileiro-carro-flex-completa-20-anos-e-surge-como-alternativa-barata-aos-eletricos.ghtml> e <https://exame.com/agro/carro-flex-completa-20-anos-impulsionado-pela-producao-de-etanol>.
[2] Ver <https://www.linkedin.com/pulse/20-fatos-e-curiosidades-sobre-os-anos-do-carro-flex-anfavea>.