Breve análise sobre transição energética e a importância do novo mercado de gás
A transição energética é um tema que tem atraído crescente atenção e demandado a cada dia maior compromisso de políticas públicas e da iniciativa privada. Muitos países têm firmado acordos e compromissos de redução de emissão de carbono, o que termina repercutindo na adoção de medidas que visam uma descarbonização da economia em futuro próximo por parte do setor privado.
O consumo de eletricidade per capita no Brasil é atualmente metade do consumo verificado na Espanha e um quinto do consumo dos Estados Unidos1. A perspectiva de aumento de demanda no mercado de energia combinada com as políticas públicas e privadas de transição energética geram enorme espaço para o crescimento de fontes de energia que contribuem para a economia de baixo carbono.
Neste contexto, o gás natural vem sendo apontado com o combustível da transição energética, pois garante eficiência com baixa emissão de gases poluentes, funcionando como uma ponte para o futuro de baixo carbono e abrindo caminho para a consolidação de fontes renováveis, como eólica e solar.
O programa Novo Mercado de Gás, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia desde 2019, busca formar um mercado de gás natural aberto, dinâmico e competitivo, promovendo condições para redução do seu preço e, com isso, atrair interesse dos investidores. Uma das alternativas exploradas é o incentivo a empreendimentos de usinas termelétricas, que serviriam como consumidoras de gás e distribuiriam energia se aproveitando da vasta malha de distribuição de energia elétrica do país. A geração termelétrica de energia por meio do gás atenderia à crescente demanda por energia no Brasil e, ao mesmo tempo, permitiria criar alternativas de demanda do gás produzido, especialmente para o abundante gás do pré-sal, enquanto novas formas de distribuição vão sendo construídas.
A alternativa do Novo Mercado de Gás parece atender aos investidores cada vez mais preocupados com governança e responsabilidade ambiental. Assim, parece-nos que ganha cada vez mais importância a demonstração de que o mercado brasileiro não apenas prioriza no discurso, como atende na prática os requisitos mínimos da pauta ESG (do inglês Environmental, Social and Governance), sob pena de assim não o fazendo abdicar de investimentos relevantes.
Espera-se que, quando tenhamos a nova Lei do Gás aprovada no Congresso Nacional, haja um ambiente acolhedor para os investimentos estrangeiros, os quais serão fundamentais para alcançar as metas almejadas e o bom funcionamento do Novo Mercado de Gás.
A transição energética é um movimento necessário e urgente. A utilização do gás como o combustível da transição se apresenta como uma alternativa, em especial quando se considera o grande potencial de produção de gás do pré-sal e o fato de que ele garante a eficiência energética com menor emissão de gases poluentes.
A transição é pauta que chegou não só à atenção dos governos, mas também dos investidores, que cada vez mais buscam projetos comprometidos não só com a sustentabilidade, mas com todos os aspectos da pauta ESG.
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Notas de rodapé:
1 Ver https://www.indexmundi.com/map/?v=81000&r=xx&l=pt.
Esse artigo é parte do conteúdo da BMA Review #70. Clique aqui para ver todos os destaques desta edição.