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BMA e CEBRI lançam livro sobre transição energética; faça o download e reveja o debate de lançamento

26.05.2022 5 minutos de leitura

Falar em transição energética é falar sobre um cenário que oferece muitas oportunidades, mas também incontáveis desafios. É tratar de um futuro cada vez mais próximo e de medidas urgentes para que o planeta seja sustentável para as próximas gerações. Pensar uma economia que não seja mais baseada no carbono suscita inúmeras discussões, inclusive sobre um possível protagonismo do Brasil nessa conversa. No entanto, após uma pandemia que desacelerou economias globais e uma guerra entre Ucrânia e Rússia, falar sobre transição energética parece ainda mais desafiador.

Dando continuidade a parceria firmada com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), o BMA Advogados lançou o livro "Energia em um mundo em transição: desafios, oportunidades e perspectivas", publicação disponível de forma física e digital (clique aqui para acessar). Este é o segundo volume de uma série de publicações feita em parceria com o CEBRI para discutir assuntos atuais do setor energético. O primeiro livro tratou de reflexões e perspectivas sobre energia em um cenário pré-pandêmico.

"Esse é um tema muito importante hoje em dia e a gente vê que não tem uma única resposta. A gente tem vários aspectos, tratados no livro, vemos perspectivas, desafios, mas também oportunidades. A transição tem um ponto muito importante para a indústria, acho que é isso que o livro se propõe a falar", disse Carlos Frederico Bingemer, sócio das áreas de Energia e de Societário do BMA, e um dos autores do livro, na abertura do debate.

O evento de lançamento, realizado de forma híbrida, no escritório do Rio de Janeiro e virtualmente, na quarta-feira, 18 de maio, reuniu alguns dos autores da obra, como Pedro Malan (Conselheiro Emérito do CEBRI e ex-Ministro da Fazenda) e Clarissa Lins (Conselheira do CEBRI e Sócia Fundadora da Catavento Consultoria). Além de Bingemer, Bruna de Barros Correia (advogada das áreas de Energia e de Infraestrutura do BMA) e Jorge Camargo (vice-presidente do Conselho Curador do CEBRI) também participaram da conversa, mediada por Rafaela Guedes (Senior Fellow do CEBRI e Gerente Executiva de Responsabilidade Social da Petrobras).

 

DESAFIOS DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

"Esse é o desafio de uma década e isso está muito bem ancorado. 80% do planeta onde mora 85% da população já passou por algum evento climático extremo. Portanto, a gente tem que resolver essa equação", convoca Clarissa. "É uma oportunidade de uma geração que temos no Brasil em função da nossa diversidade de fontes de energia, da nossa posição geopolítica, geográfica... O Brasil pode ser uma potência ambiental e uma potência energética", prevê Camargo.

Toda a questão da guerra entre Rússia e Ucrânia após os anos pandêmicos tornaram este desafio ainda mais difícil de ser resolvido, mas percebe-se que os países e empresas estão entendendo que têm um papel fundamental para essa transformação acontecer.

"A transição energética é um tema que não termina.  Estamos falando de transformar, de reduzir 51 bilhões de toneladas de emissões anuais a zero. É um desafio de uma complexidade enorme. Estou muito convencido de que estamos iniciando a compreensão desse tema, a ficha começa a cair mesmo em 2015, na COP de Paris. Ali, os 196 países viram que precisavam fazer alguma coisa. E na COP26 (realizada em novembro de 2021 em Glasgow), ela cai para os setores empresarial e financeiro: esse negócio é sério, é um risco e uma grande oportunidade", explicou sugeriu o vice-presidente do Conselho Curador do CEBRI.

"A transição energética provavelmente se tornou muito mais complexa do que era antes do efeito combinado de COVID e conflitos no leste europeu, ela se tornou também mais lenta e mais custosa. Isso não é um novo normal, é um novo diferente que vai assumir diferentes feições em diferentes partes do mundo e cada um procurando responder de uma maneira que tenha a ver com percepções sobre mudanças em estrutura de oferta para reduzir seguranças (alimentares, energéticas...) dessas várias áreas", analisou Malan. "Estou seguro que esse livro será visto como uma contribuição relevante para o debates sobre os desafios, sobre as oportunidades, sobre as perspectivas que se abrem para o Brasil", complementou.

 

O PAPEL DO BRASIL NA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA MUNDIAL

"Essas duas edições (dos livros da parceria CEBRI/BMA) deixam muito claras as vantagens comparativas que o Brasil tem em transformar a transição energética em uma plataforma de desenvolvimento econômico, de atração de investimentos e de inserção internacional, algo como a gente não teve, talvez, na história moderna brasileira", resumiu Camargo.

A geração de energia, de fato, é o principal desafio para a transição de uma economia baseada no carbono para um novo modelo, haja vista que o mundo ainda depende de carvão, petróleo e gás em cer­ca de 80% de seu consumo energético. Do ponto de vista de geração de energia, com uma matriz extremamente diversificada, com 46% da participação de fontes renováveis, o Brasil poderia buscar protagonismo nessa discussão global.

No entanto, o país tem que enfrentar desafios como o desmatamento, que o coloca na quinta colocação global entre os maiores emissores de ga­ses de efeito estufa, atrás apenas de China, Estados Unidos, Rússia e Índia.

"A gente precisa criar um ambiente regulatório, tributário, institucional que sejam estáveis para atrair investimentos privados. Precisamos também mostrar que o Brasil sabe e pode cuidar da Amazônia. Se formos capazes de fazer isso, nos tornamos um imã e conseguimos tirar o máximo de proveito dessa transição energética, dessas oportunidades", prevê Camargo.

Para Bruna Correia, advogada de Energia do BMA, a transformação das fontes de energia primárias não é algo novo, mas os fatores mencionados acima tornam esta transição energética atual a mais desafiadora. "Essa transição tem esse caráter específico que foi ampliado com o conflito bélico que estamos vivendo na Ucrânia e a forte dependência que o continente europeu tem da Rússia. Como eles mudam isso? Diversificando. Quando a gente olha esse contexto internacional e olha para o Brasil, com a abundância de recursos naturais e ambiente regulatório, vemos que a gente já está com um pezinho na frente", analisa.


Reveja o evento de lançamento: