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Brasil enfrenta debate entre exploração de reservas na Margem Equatorial ou seguir caminho para transição energética

26.10.2023 3 minutos de leitura

Partir de vez para um caminho de transição energética ou continuar apostando na exploração das reservas de petróleo? E se continuar, até quando? As discussões sobre a exploração de reservas de petróleo na Margem Equatorial no Brasil têm como pano de fundo questões como essas, profundas e que representam o principal dilema enfrentado atualmente no cenário energético nacional.

O Ministério do Meio Ambiente, e o Ministério de Minas e Energia, compartilham visões distintas em relação ao tema. Por um lado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defende que a exploração de petróleo na Amazônia poderia ser evitada em prol de uma agenda verde, com foco na transição energética, e afirma que a decisão do Ibama de licenciar ou não a perfuração do poço da Margem Equatorial está com eles e será técnica. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, diz que a exploração da Margem Equatorial é uma questão de tempo, sendo necessário apenas um diálogo sobre como fazer, e não se irão fazer.

“As discussões só farão sentido quando houver definições concretas do início, meio e fim da transição energética do país, a fim de realmente permitir uma mudança no perfil da matriz, uma vez que discutir transição energética significa mudar o perfil de investimentos”, afirma Sérgio Leitão, presidente do Instituto Escolhas. Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima destaca que o atual governo vem tomando medidas consistentes, na direção correta, no campo ambiental, adotando ações que refletem na redução do desmatamento na Amazônia, por exemplo. No entanto, enfrenta duras contradições e impasses no setor energético, enquanto busca ampliar a exploração de petróleo.

No dia 29 de setembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu uma licença para a Petrobras perfurar duas áreas na Bacia de Potiguar, no litoral do Rio Grande do Norte, uma das regiões da "Margem Equatorial". No entanto, a questão sobre a perfuração do poço da Bacia da Foz do Amazonas, que teve o pedido de licença negado na primeira tentativa, continua em discussão.

A Petrobras, apesar de mirar na Margem Equatorial, ainda depende do pré-sal e também busca renovar a concessão do campo de Tupi, cujo contrato acaba em 2037. Enquanto isso, a instituição também espera por novas descobertas significativas.

Nosso sócio da área de Energia, Carlos Frederico Bingemer, falou sobre o tema em entrevista ao Valor Econômico. Para ele, o país precisa manter regras estáveis para atrair mais investidores às novas fronteiras. “A Petrobras precisa deixar o discurso claro do que vai fazer ao longo do tempo e o que quer no caminho do pré-sal em diante. Ela sozinha não será capaz de absorver a capacidade exploratória dos próximos anos e gerar riqueza para o país. Essas riquezas têm prazo de validade. Se não houver a mensagem correta ao investidor, elas podem se perder”.

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