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Protagonismo feminino e necessidade de ações concretas são tema de conversa com fundadora da RME, Ana Fontes

09.03.2021 4 minutos de leitura

​Para além das homenagens corriqueiras no Dia Internacional da Mulher (08 de Março), as empresas  precisam desenvolver ações concretas para equiparar os direitos das mulheres aos dos homens e dar a elas condições mais justas de trabalho. É o que acredita a fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), Ana Fontes, que concedeu uma breve entrevista para este informativo.

Criada em 2010, a Rede é fruto da percepção de Ana sobre os desafios enfrentados pelas mulheres que, da mesma forma que ela, optaram por deixar o ambiente corporativo e foram em busca de oportunidades no empreendedorismo.

Ela conta que, em sua trajetória como executiva de uma empresa, passou por situações constrangedoras e emblemáticas que fizeram-na questionar toda a cadeia de comando, sem, no entanto, encontrar outra lógica que não fosse a do preconceito. Ana explica que o incômodo fez com que ela pedisse demissão em 2007, um ano antes de começar sua jornada como empreendedora.

Na época, o protagonismo feminino praticamente não era discutido e as lideranças eram primordialmente ocupadas pelos mesmos tipos de pessoas, sem muito espaço para a diversidade. De lá para cá, Ana acredita que as empresas tenham evoluído na discussão sobre o assunto, mas que ainda é preciso avançar em ações que não sejam “cosméticas”. “Muitas empresas ainda estão mais preocupadas em ‘parecer’ do que em ‘ser’ de verdade”, comenta. “Existe a consciência de que [o debate] é necessário, mas desse pensamento para a ação há bastante distância.”

Em um post recente no LinkedIn, ela escreveu que as empresas precisam “garantir espaços para as mulheres em toda a sua pluralidade: negras, LGBTQs, maduras, diferentes origens; quanto mais diverso, melhor”. Por isso, Ana entende que a política de cotas é necessária enquanto instrumento para corrigir desigualdades, uma vez que as mulheres seguem sub-representadas nos lugares de poder.

Um longo caminho

Apesar de reconhecer a urgência sobre o tema, a fundadora da RME pensa que toda empresa deve olhar para o assunto com atenção, porém entendendo que existe um longo processo até a equidade. “Diversidade é uma jornada; além de ser sobre justiça social (por si só, necessária), é também sobre inovação e sobre economia.”

O problema, segundo ela, é quando as organizações acham que “não têm problemas e que não precisam mudar”. Na prática, Ana afirma: “não tem fórmula sobre diversidade e inclusão, mas o caminho está em ouvir e em entender as pessoas para ver o que é possível fazer”. “Não é uma coisa única ou rápida; é muita construção social e história feita em cima de desigualdades”, lembra.

Desafios para o empreendedorismo feminino

Enquanto instituição e organização, a Rede Mulher Empreendedora enfrenta muitos desafios, principalmente o de dar continuidade ao trabalho de apoio ao empreendedorismo feminino num cenário de tantas incertezas e desigualdades.

Outras dificuldades incluem a falta de políticas públicas que ajudem as mulheres a obterem crédito, a falta de incentivos para a compra de produtos de pequenos negócios liderados por mulheres, e a falta de capacitação técnica das empreendedoras.

Na pandemia de COVID-19, é sabido que as mulheres foram as mais afetadas – muitas perderam o emprego e não conseguiram manter o equilíbrio com o trabalho doméstico. Segundo Ana Fontes, se por um lado a situação continua muito pesada, por outro, o momento mostrou a capacidade criativa e inovadora das mulheres para garantir a sustentabilidade de seus negócios. “Aqui na Rede, acreditamos que as mulheres serão a solução para a saída da pandemia.” Por isso, seguem firme no trabalho de buscar que as mulheres tenham os mesmos direitos, oportunidades e condições dos homens no desenvolvimento de suas atividades.

A importância de parcerias sólidas

Sobre a relação com o BMA InspirAção, Ana destaca o entendimento que o escritório tem sobre o assunto e a caminhada que faz para ajustar as desigualdades. Ela considera a parceria muito positiva e conectada ao propósito da RME, principalmente por causa do olhar que o BMA tem sobre o trabalho como um negócio social.

Ana afirma que essa é uma compreensão muito difícil de obter, porque muitos não entendem a causa por trás do que é feito. “Tudo que a gente faz tem fortes impactos.” A Rede, segundo ela, busca formas de viabilizar o protagonismo feminino no empreendedorismo sem prejudicar ninguém, promovendo uma visão humana durante todo o processo. Daí a importância de ter parceiros que realmente atuem em conjunto para auxiliar quem quer empreender e quem quer se inserir no mercado de trabalho.


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