Protagonismo feminino e necessidade de ações concretas são tema de conversa com fundadora da RME, Ana Fontes
Para além das homenagens corriqueiras no Dia Internacional da Mulher (08 de Março), as empresas precisam desenvolver ações concretas para equiparar os direitos das mulheres aos dos homens e dar a elas condições mais justas de trabalho. É o que acredita a fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), Ana Fontes, que concedeu uma breve entrevista para este informativo.
Criada em 2010, a Rede é fruto da percepção de Ana sobre os desafios enfrentados pelas mulheres que, da mesma forma que ela, optaram por deixar o ambiente corporativo e foram em busca de oportunidades no empreendedorismo.
Ela conta que, em sua trajetória como executiva de uma empresa, passou por situações constrangedoras e emblemáticas que fizeram-na questionar toda a cadeia de comando, sem, no entanto, encontrar outra lógica que não fosse a do preconceito. Ana explica que o incômodo fez com que ela pedisse demissão em 2007, um ano antes de começar sua jornada como empreendedora.
Na época, o protagonismo feminino praticamente não era discutido e as lideranças eram primordialmente ocupadas pelos mesmos tipos de pessoas, sem muito espaço para a diversidade. De lá para cá, Ana acredita que as empresas tenham evoluído na discussão sobre o assunto, mas que ainda é preciso avançar em ações que não sejam “cosméticas”. “Muitas empresas ainda estão mais preocupadas em ‘parecer’ do que em ‘ser’ de verdade”, comenta. “Existe a consciência de que [o debate] é necessário, mas desse pensamento para a ação há bastante distância.”
Em um post recente no LinkedIn, ela escreveu que as empresas precisam “garantir espaços para as mulheres em toda a sua pluralidade: negras, LGBTQs, maduras, diferentes origens; quanto mais diverso, melhor”. Por isso, Ana entende que a política de cotas é necessária enquanto instrumento para corrigir desigualdades, uma vez que as mulheres seguem sub-representadas nos lugares de poder.
Um longo caminho
Apesar de reconhecer a urgência sobre o tema, a fundadora da RME pensa que toda empresa deve olhar para o assunto com atenção, porém entendendo que existe um longo processo até a equidade. “Diversidade é uma jornada; além de ser sobre justiça social (por si só, necessária), é também sobre inovação e sobre economia.”
O problema, segundo ela, é quando as organizações acham que “não têm problemas e que não precisam mudar”. Na prática, Ana afirma: “não tem fórmula sobre diversidade e inclusão, mas o caminho está em ouvir e em entender as pessoas para ver o que é possível fazer”. “Não é uma coisa única ou rápida; é muita construção social e história feita em cima de desigualdades”, lembra.
Desafios para o empreendedorismo feminino
Enquanto instituição e organização, a Rede Mulher Empreendedora enfrenta muitos desafios, principalmente o de dar continuidade ao trabalho de apoio ao empreendedorismo feminino num cenário de tantas incertezas e desigualdades.
Outras dificuldades incluem a falta de políticas públicas que ajudem as mulheres a obterem crédito, a falta de incentivos para a compra de produtos de pequenos negócios liderados por mulheres, e a falta de capacitação técnica das empreendedoras.
Na pandemia de COVID-19, é sabido que as mulheres foram as mais afetadas – muitas perderam o emprego e não conseguiram manter o equilíbrio com o trabalho doméstico. Segundo Ana Fontes, se por um lado a situação continua muito pesada, por outro, o momento mostrou a capacidade criativa e inovadora das mulheres para garantir a sustentabilidade de seus negócios. “Aqui na Rede, acreditamos que as mulheres serão a solução para a saída da pandemia.” Por isso, seguem firme no trabalho de buscar que as mulheres tenham os mesmos direitos, oportunidades e condições dos homens no desenvolvimento de suas atividades.
A importância de parcerias sólidas
Sobre a relação com o BMA InspirAção, Ana destaca o entendimento que o escritório tem sobre o assunto e a caminhada que faz para ajustar as desigualdades. Ela considera a parceria muito positiva e conectada ao propósito da RME, principalmente por causa do olhar que o BMA tem sobre o trabalho como um negócio social.
Ana afirma que essa é uma compreensão muito difícil de obter, porque muitos não entendem a causa por trás do que é feito. “Tudo que a gente faz tem fortes impactos.” A Rede, segundo ela, busca formas de viabilizar o protagonismo feminino no empreendedorismo sem prejudicar ninguém, promovendo uma visão humana durante todo o processo. Daí a importância de ter parceiros que realmente atuem em conjunto para auxiliar quem quer empreender e quem quer se inserir no mercado de trabalho.
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