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Cresce interesse do mercado pelas SPACs

18.05.2021 2 minutos de leitura

​O crescente interesse do mercado pelas SPACs, companhias de investimento formadas para captar recursos via IPO, com o propósito de adquirir empresa por meio de transações de M&A, chegou ao Brasil. 

O modelo que existe desde os anos 2000 nos Estados Unidos, se popularizou em 2020, com um cenário de juros baixos e ampla liquidez, e é visto como uma oportunidade para investidores aproveitarem bons momentos de mercado para captar recursos.

Mesmo com a falta de regulamentação específica no Brasil, advogados e banqueiros relatam crescente procura de clientes interessados em entender o balizamento jurídico para a constituição desses veículos.

Especialistas já estudam o desenho ideal e adaptações que este modelo de empresa precisa para se integrar ao cenário local. Outro ponto de discussão é se as Spacs devem ser uma opção para qualquer perfil de investidor ou ficar restritas aos profissionais e qualificados. 

Em entrevista ao Valor Econômico, nosso sócio Felipe Prado, da área de Mercados Financeiro e de Capitais, falou sobre o tema. Segundo nosso especialista, há pelo menos um precedente de tentativa de constituição de uma Spac no Brasil.

Em 2019, um fundo de private equity interessado em investir nos setores de saúde hospitalar, agro, varejo e logística iniciou conversações que não avançaram com a CVM e a B3. “Não por impedimento legal, mas por decisão mercadológica do cliente que optou por seguir com a Spac fora do Brasil”, afirmou.

Dessa experiência embrionária, Prado aponta os três principais desafios para adaptar aos modelos estrangeiros a legislação brasileira. Ao contrário dos EUA, o Brasil exige estudos de viabilidade da empresa ou do negócio submetido à oferta. No caso das Spacs, como o alvo do investimento é desconhecido num primeiro momento, o estudo deveria se ater a análises macroeconômicas e do setor em que os recursos serão alocados. 

Outra diferença é que, nos EUA, o investidor que não concordar com o alvo de aquisição de uma Spac pode resgatar sua participação. Vale o mesmo se não for encontrado um ativo para comprar em dois anos. No Brasil, isso não poderia ser feito por meio de ações ordinárias, já que a Lei das S.A. impede que haja mais de uma classe de papéis votantes. “É possível pensar na criação de ações preferenciais resgatáveis, de forma a permitir que apenas os investidores da transação possam resgatar as suas ações, sem que o direito se estenda ao sponsor”, completa. 

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