Conformidade com a LGPD vira valor competitivo para empresas
Após alguns meses da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), pode-se perceber que as empresas que saíram na frente e que se adequaram à regulamentação têm angariado valor competitivo no mercado.
Esse foi um dos temas abordados durante o webinar "Proteção de Dados no Brasil: 4 meses da LGPD", promovido pela Exame e realizado na última quarta-feira, 20 de janeiro. O evento contou com a participação do nosso sócio Felipe Palhares, da área de Proteção de Dados, Tecnologia e Negócios Digitais.
Miriam Wimmer, diretora da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD); Fabiano Barreto, advogado e especialista em Política e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI); e Renato Cirne, diretor Jurídico e de Compliance da FSB Comunicação, foram alguns nomes que também fizeram parte do painel.
Na oportunidade, os especialistas refletiram o caminho percorrido até aqui e os próximos desafios para que a segurança de dados no Brasil seja firmemente garantida. Entre os principais pontos discutidos está a mudança de cultura das organizações brasileiras para se ajustarem à Lei.
Durante o webinar, nosso sócio Felipe Palhares comentou sobre o tema. Segundo ele, embora a mudança de cultura leve tempo, já é possível notar o movimento de adequação das empresas às novas regras. “Uma mudança de cultura nunca é simples, mas as organizações já estão incorporando novas ações e revendo práticas do dia a dia para entender o que é necessário fazer para aderir à legislação. Não é um movimento fácil, mas é um movimento necessário. E, como a LGPD traz um valor positivo para toda a sociedade, as normas precisam ser compreendidas e absorvidas por todos”, afirmou.
Palhares ainda destaca que o mercado tem pressionado pelo respeito às regras de privacidade e segurança dos dados. “Não é só uma exigência da lei, mas uma cobrança do mercado também. Temos notado que estar em conformidade com a LGPD passou a gerar valor competitivo entre as empresas. Para diversos players, a adequação às normas de proteção de dados virou fator decisivo em disputas comerciais, na hora de fechar novos negócios”, explicou.
Dentre os fatores que podem dificultar a aderência à nova cultura e adequação das organizações está a falta de regulamentação da Lei, tarefa que fica a cargo da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Durante o webinar, a diretora da ANPD afirmou que, embora a LGPD venha sendo discutida há mais de 10 anos no Brasil, a Lei só começou a valer muito recentemente. Segundo ela, há uma série de normas que precisam ser editadas e ainda existem muitas dúvidas sobre a sua aplicação. “Uma característica de leis que são construídas a muitas mãos como a LGPD é que elas deixam espaços abertos para disputas interpretativas. O nosso esforço é traduzir essa lei e relacioná-la com outras normas já existentes. Tudo isso gera uma necessidade de detalhamento e interpretação que é urgente e complexa”, completou.
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5º episódio da nossa websérie Entre Telas: A LGPD entrou em vigor, e agora?