Paulo Cezar Aragão lista operações marcantes e ensinamentos com transações de fusão e aquisição para publicação francesa
"Não tenha medo de tentar aquilo que nunca foi feito". A frase é do nosso sócio fundador Paulo Cezar Aragão em entrevista para a publicação francesa Magazine Décideurs, onde falou sobre as operações marcantes da sua carreira e as dificuldades em realizar transações transnacionais.
À publicação, Aragão revelou que a operação da qual mais se orgulha é a privatização da Telebras. "Na época, a Telebras contava apenas com 5 milhões de linhas de telefonia celular. Ela foi vendida por 19,2 bilhões de dólares após ter sido dividida em doze companhias telefônicas diferentes. Hoje, temos mais de 200 milhões de linhas de telefone celular no Brasil e um sistema muito moderno. Precisei, por quase dois anos, fazer viagens semanais à Brasília para concluir essa operação, apesar da forte oposição de sindicatos e certos partidos políticos, o que rendeu mais de 100 processos", lembrou nosso sócio da área de Societário e M&A.
"Tratava-se de um verdadeiro desafio que ocupava uma parte importante do nosso escritório de advocacia, que tinha uma pequena estrutura na época. (...) Fazer transações é como fazer um filme: apenas um advogado aparece em cena para receber o Oscar - ou, no caso da Telebras, aparece em uma foto emblemática que ainda é recorrentemente publicada na imprensa toda vez que se fala sobre a evolução do sistema de telecomunicações brasileiro - mas sem todos aqueles nomes que aparecem nos créditos, não haveria nem filme, nem Oscar", complementou Aragão.
Sobre a transação mais desafiadora de sua carreira, nosso sócio listou duas ligadas ao setor cervejeiro: a fusão entre as cervejarias brasileiras Brahma e Antarctica, e a fusão entre a brasileira Ambev e a belga Interbrew, criando a Inbev. "Em um dado momento, estávamos ao redor de uma mesa com advogados de dezesseis jurisdições diferentes. Mais uma vez, ressalto que essas transações são possíveis graças ao trabalho de qualidade da equipe do BMA, que foi fundamental", elogiou ele.
Na entrevista, Paulo Cezar Aragão seguiu listando os que aprendeu com as transações ímpares que realizou. "Dos numerosos ensinamentos chave que tirei dessas transações, em primeiro lugar: não tenha medo de tentar aquilo que nunca foi feito anteriormente no Brasil, como uma fusão transnacional. Em seguida, tente ver as coisas do ponto de vista regulatório do seu país e dos demais países envolvidos. (...) É preciso também estar pronto para considerar voos de longa distância como sua segunda casa durante um período. Eu passei duas ou três noites de aniversário em um voo para o exterior ou em um quarto de hotel", ensinou ele, que disse ainda: "Um dos principais ensinamentos que tirei de diversas transações é que apenas o conhecimento da Lei, normalmente, não é suficiente".
Nosso sócio comentou ainda dois pontos fundamentais a entender nas operações de fusão e aquisição: "É preciso compreender que não existem dois acordos idênticos e que o advogado da outra parte não é seu inimigo, mas alguém que tenta conseguir o mesmo que você de um ponto de vista diferente."
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