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Construção de uma Sociedade Plural: Reflexões sobre Colorismo e Autoidentificação Racial com Suzane Jardim

05.12.2023 3 minutos de leitura

Encerrando as atividades em celebração ao Dia da Consciência Negra, recebemos no dia 30/11 em nosso escritório de São Paulo, a historiadora, mestre em ciências humanas e sociais e educadora em questões étnico-raciais, Suzane Jardim, para uma aula sobre colorismo e autoidentificação racial no Brasil. O evento, organizado pelo BMA e promovido pela Aliança Jurídica pela Equidade Racial, formada pelos principais escritórios de advocacia do Brasil com o objetivo de fomentar a inclusão de profissionais negros no mercado jurídico, e da qual temos orgulho de fazer parte, contou com a moderação da nossa sócia Fernanda Tanure, da área Ambiental, e da advogada Lívia Caldas Brito, de Solução de Conflitos.

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, marca a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, símbolo da resistência negra à escravidão no Brasil colonial. A data é uma oportunidade para promover o diálogo, a educação antirracista e o entendimento das questões que envolvem a população negra, buscando construir um país mais inclusivo e plural.

Suzane iniciou a conversa contando sobre sua história pessoal, sendo filha de um casal interracial, de pai branco e mãe negra, e as dificuldades que enfrentou ao crescer com incertezas sobre sua autoidentificação racial. Branca, negra ou parda? Foram questionamentos que a seguiram durante boa parte de sua vida. Para explicar a motivação de tais questionamentos, ela trouxe um panorama sobre o processo de redução étnica que aconteceu no Brasil pós-escravidão, onde a miscigenação foi usada como estratégia para diminuir a população negra no país.

Nesse processo, surgiram diversos tons de pele, dando origem, assim, ao colorismo. Suzane pontua que “os tons diversos condicionam o nível da violência racial que o indivíduo irá sofrer durante a vida”, e ainda acrescenta que esse mesmo processo de mestiçagem forçada criou no Brasil uma legião de pessoas que não se identificam com a cultura de seus ancestrais, e, por isso, sentem tamanha dificuldade para se auto identificarem.

Após abordar o panorama racial na história da formação do Brasil, Suzane encerrou a conversa reforçando que a autodeclaração é essencial para a criação de políticas públicas, pois sem os dados, não é possível identificar e avaliar avanços na busca pela equidade racial. Em suas palavras, "falar sobre autoidentificação é falar sobre recuperação de autoestima e entender o seu lugar na sociedade".

Ao explorar esses temas cruciais, a palestra de Suzane Jardim proporcionou uma reflexão profunda sobre a importância da consciência racial no Brasil, destacando a relevância de iniciativas educacionais e políticas inclusivas para promover uma sociedade mais justa e equitativa. Além de falar sobre a temática racial, é preciso colocar ações afirmativas em prática. 

Clique aqui confira um depoimento da nossa convidada no Instagram @somosbma.