Avanços no combate à lavagem de dinheiro: perspectivas para 2026
O combate à lavagem de dinheiro é um dos pilares da governança global em 2026. O cenário hoje aponta para um momento decisivo de fortalecimento dos mecanismos de prevenção e das políticas de sanções econômicas, acompanhado pela crescente incorporação de soluções tecnológicas avançadas. Vale destacar a ampliação do uso de inteligência artificial e de técnicas como machine learning e process mining para o monitoramento contínuo, a identificação de padrões atípicos e a triagem de terceiros, com vistas à detecção de condutas suspeitas.
Durante a XXIII Reunião Plenária da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), realizada no final de 2025, foram aprovadas ações com foco na prevenção e repressão à inserção de organizações criminosas no setor imobiliário; no desenvolvimento de estratégias para detecção e repressão à lavagem vinculada a cadeias produtivas sensíveis, como a de combustíveis; e no fortalecimento de mecanismos de rastreabilidade e transparência financeira.
O Banco Central também endureceu as regras para fintechs e instituições de pagamento, exigindo o fechamento das chamadas "contas-bolsão" irregulares. As normas passaram a demandar monitoramento mais rigoroso, identificação efetiva de beneficiários, segurança cibernética elevada e regulação das prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs).
Nesse contexto, o "Guia ANBIMA de PLD/FTP" de 2025 endereça as principais expectativas regulatórias e de boas práticas relacionadas à prevenção à lavagem de dinheiro nos mercados financeiro e de capitais. O documento reforça o foco na governança, no engajamento da alta administração e na adoção de uma abordagem baseada em risco, sustentada por políticas formais, controles internos verificáveis e processos contínuos de monitoramento.
O guia aprofunda diretrizes relativas aos procedimentos de KYC – know your customer, bem como à análise e à comunicação de operações atípicas, ampliando o enfoque preventivo para toda a cadeia de colaboradores, prestadores de serviços e parceiros. Nessa linha, a identificação de estruturas empresariais artificiais destinadas à blindagem patrimonial e à ocultação de bens assume papel central.
No contexto internacional, a criação da Anti-Money Laundering Authority (AMLA) pela União Europeia, que deve estar em plena operação até 2028, marca um avanço na supervisão centralizada de instituições de alto risco, especialmente em fluxos financeiros complexos e ativos digitais. Já os Estados Unidos intensificaram o uso de sanções para impactar organizações criminosas, fraudes cibernéticas e cartéis, responsabilizando mais fortemente gatekeepers institucionais, como a FinCEN, a Rede de Combate a Crimes Financeiros, agência do Departamento do Tesouro americano.
A intensificação da atenção regulatória sobre ativos digitais e stablecoins tem sido um ponto de convergência global. Relatórios jurídicos globais indicam que ações de enforcement estão em ascensão, com atenção especial a terceiros e prestadores de serviços financeiros, bem como ao uso ampliado de ferramentas tecnológicas. A tendência é que as iniciativas de compartilhamento de dados e incentivos a denúncias transfronteiriças continuem a ganhar relevância.
Assim, em 2026, a agenda de combate à lavagem de dinheiro ganha ainda mais relevância com os recentes escândalos, tendendo a consolidar-se em torno do uso de tecnologias e análise de dados para detecção de ilícitos, fortalecimento de sistemas jurídicos nacionais por meio de agentes reguladores e cooperação transnacional, amadurecimento dos regimes de controle aplicáveis a fintechs e ativos digitais e seu relacionamento com o crime organizado.
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