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BMA Startup Day Conference propõe reflexões sobre os desafios experenciados pela comunidade de startups

27.09.2022 8 minutos de leitura

Pensar a inovação, discutir cases, trocar experiências e conversar sobre os desafios experenciados pela comunidade de startups. Em sua primeira edição, o BMA Startup Day Conference reuniu mais de 30 palestrantes nos nossos escritórios do Rio de Janeiro e São Paulo, em quase 10 horas de evento que aconteceu simultaneamente e contou ainda com transmissão online na última quinta-feira, 22 de setembro.

"É um dia muito importante para nós, em que tivemos a oportunidade de reunir pessoas maravilhosas, mentes brilhantes, experiências muito valiosas para falar de vários temas", elogiou Ian Bussinger, sócio de Societário e M&A. "O BMA decidiu apostar também em startups, nós vamos mergulhar de cabeça nisso porque acho que tem muito valor no crescimento dessas companhias, dessas pequenas empresas", complementou Chico Müssnich, também sócio da área de Societário e M&A, no painel de abertura do evento.

Confira abaixo alguns destaques dos painéis, que estarão disponíveis, em breve, no canal de YouTube do nosso escritório de advocacia. 

 

Painel de abertura

Com João Pedro Nascimento (Presidente - CVM)

Durante sua exposição, João Pedro Nascimento, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), explicou sobre a importância de desenvolver no Brasil um mercado de acesso, um lugar onde as novas companhias consigam entrar no mercado aberto. "O principal desafio do meu tempo é tornar o meu regulador mais moderno para as necessidades desse mundo", pontuou.

O presidente da CVM mencionou as inovações legislativas que estão tornando o ambiente brasileiro mais propício para negócios, como o Marco Legal das Startups, aprovado em junho de 2021. Nascimento lembrou, ainda, iniciativas importantes como o sandbox regulatório, ambiente regulatório experimental, controlado e supervisionado por autoridade competente com objetivo de fomentar o empreendedorismo digital.

 

Como conciliar investimento de impacto em cenário adverso de fundraising

Com Maria Tereza Azevedo (Diretora de Investimentos – Softbank), Caetano Altafin (Co-founder e CEO – Woof) e moderação de Ian Bussinger (BMA) 

No painel, Maria Tereza Azevedo (Diretora de Investimentos – Softbank), Caetano Altafin (Co-founder e CEO – Woof) dividiram as suas experiências, falando sobre acertos e erros no universo das startups. Caetano, por exemplo, detalhou algumas de suas vivências até chegar a criação da Woof, que começou como uma plataforma de adoção de animais de estimação e transformou-se em um bem-sucedido marketplace com foco em pet shops locais.

 

O herói das mil faces: Jornada de uma startup do zero ao exit

Com Fernando Steler (Delend), Miguel Rodrigues (CFO – Creditas) e moderação de Fabio Rodas (CEO & Co founder – Shopper)

Durante o painel, Miguel Rodrigues, da Creditas, falou um pouco sobre a história da Creditas e modelo de transição de negócio. Os palestrantes citaram que o ciclo de uma startup, normalmente, é relacionado a uma jornada do herói, portanto, é importante ter adaptabilidade e entendimento do que são as oportunidades. Cada jornada é diferente, mas se você observar tem um certo padrão, estágios que todos os empreendedores vão passar. Por isso, é preciso a criação de um ecossistema e valorização do ativo, para encontrar pessoas que possam agregar ao time e, do ponto de vista do investidor, mostrar que o negócio tem oportunidades para investimento.

 

Jornada do empreendedor: do início ao fim

Com Wilson Poit (Presidente do conselho de administração – Light) e moderação de Ian Bussinger (BMA) 

Empreendedor de longa data, Wilson Poit, atualmente presidente do conselho de administração da Light, dividiu com os presentes sua jornada e revelou que só foi "dar certo aos 40 anos". Engenheiro de formação, observou uma oportunidade ao contratar um serviço de transformadores de energia elétrica e perceber que seria capaz de oferecer um serviço ainda melhor. Foi em 1999 que ele criou a Poit Energia, a maior locadora de infraestrutura temporária do Brasil. A empresa foi vendida em 2012 por mais de R$ 400 milhões.

Poit dividiu lições como a necessidade de perder o medo do "não" e a vergonha de abordar certas pessoas para entregar um cartão que seja. "Dificilmente vão te tratar mal e isso pode abrir uma porta, não só de negócios, mas de conexões", ensinou ele, que explicou ainda que o empreendedor precisa trabalhar o apego ao seu negócio: "Tudo que a gente faz tem hora para entrar e para sair".

 

Desafios de Proteção de Dados para Startups

Com Raissa Moura (DPO – Nubank), Eduardo Curiati (Privacy Counsel Hotmart) e moderação de Felipe Palhares (BMA)

Pensar na proteção de dados em empresas é tarefa relativamente recente. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que data de 2018, mas cujas sanções administrativas passaram a valer em agosto de 2021, mudou a forma como os negócios tratam os dados de seus clientes, profissionais e terceiros. Nesse sentido, como nascer e operar em um ambiente repleto de regulação? O painel se propôs a responder a esse e outros questionamentos.

Eduardo Curiati, do Hotmart, aconselhou as empresas a prestar atenção em quatro pontos prioritários para estar em conformidade com a LGPD desde o início: "Conscientização dos colaboradores, falta de mapeamento de atividades, falta de processos estruturados e a importância de se fazer um inventário de tratamento de dados. Só é possível ter uma visão mais estruturada e encontrar oportunidades e melhorias com um mapeamento das atividades de tratamento de dados".

Raisa Moura, da Nubank, por sua vez, lembrou da importância do Privacy by Design para as Startups, para que elas pensem nas questões de privacidade desde a concepção do produto. Essa metodologia pode evitar que, depois, as pequenas empresas gastem mais tempo e dinheiro para adaptar seu produto e processos para estar em conformidade com a LGPD.

 

Dinâmica do Very Early Stage

Com Leonardo Pauletti (Managing Partner – EquityRio), Felippo Renner (Partner – Arcca), Rafael Barbosa (Levilo) e moderação de Ian Bussinger 

Quando falamos em startups, normalmente vem a mente grandes ideias, ambientes descolados e relações fluídas entre os seus integrantes. No entanto, é importante que os empreendedores atentem para algumas questões que podem afetar o funcionamento do negócio mais a frente. No painel, Leonardo Pauletti (Managing Partner – EquityRio), Felippo Renner (Partner – Arcca) e Rafael Barbosa (Levilo)  falaram sobre alguns erros comuns cometidos no início de uma empresa, como não ter um acordo entre os acionistas.

"Essa é uma jornada muito solitária. Quando você usa apenas recursos próprios, a tendência é que as coisas fiquem mais desorganizadas. Quando você tem investidores, você estrutura melhor as coisas, a governança, mesmo que minimamente, e isso ajuda em caso de um early exit de algum dos sócios", pontuou Felippo Renner.

 

Equity como ferramenta de alinhamento e motivação em startups: problemas e lições

Com Gabriel Alves (Headline – Fundo de Investimento), Gui Bonifacio (Fundador – ifood), e moderação de Luciana Marsal (BMA) e Franciny de Barros (BMA)

Dentre outros temas, o painel explorou a oportunidade de oferecer stock options para os integrantes de uma startup, dando, a eles, a possibilidade de olhar para a empresa com olhar de dono. As stock options, que costumam ser disponibilizadas para pessoas com cargo de gestão, podem ser vistas ainda como oportunidade ao serem disponibilizadas como mérito para pessoas que tem grande impacto no negócio e ainda não estão nesse momento da carreira.

O principal, de acordo com os palestrantes, é ter regras claras e transparência, com um plano simples e fácil de comunicar. Afinal, startups mudam o tempo todo e elas precisam se mostrar como negócios sustentáveis e rentáveis a longo prazo.

 

O que acontece quando um estratégico adquire uma Startup.. Afya, Pebmed e IClinic

Com Bruno Lagoeiro (Pebmed), Felipe Lourenço (Fundador IClinic) e moderação de  Lelio Souza (Head de Inovação – Afya)

Um dos pontos principais ao criar uma startup é entender se o negócio é escalável. O painel focou em mostrar a importância do foco no core do negócio para permitir que haja esse crescimento, tocando em temas como uma boa governança estruturada desde cedo, discutindo com sócios desde o começo sobre os temas que ninguém quer falar e colocar tudo isso no papel. Afinal, a execução de qualquer negócio passa pelas pessoas.

O painel abordou ainda uma questão que assombra empreendedores: Qual é o momento certo para a venda? Os debatedores acreditam que essa é uma resposta que depende da história de cada empresa, não existe muito bem um momento certo. No entanto, cabe sentir e analisar o cenário para que os fundadores entendam se a hora de passar o negócio adiante chegou ou não.

 

Desafios na implementação de incentivo de longo prazo

Com Laura Guarana (Sócia - Crescera Capital) e Alexandre Leão (Sócio - Crescera Capital), com moderação de Luiz Marcelo Góis (BMA) e Ian Bussinger (BMA)

Falar sobre investimentos em startups é desafiador, porque cada empresa carrega sua singularidade em cada momento de sua jornada. No entanto, durante este painel, os debatedores falaram sobre as particularidades de diferentes tipos de fundo de investimento e como ou quando eles podem entrar na jornada das startups. 

"O momento da venda é muito particular do momento de vida de cada empreendedor. A gente brinca que o investimento do fundo é um casamento com data de divórcio marcado, e é bom você já ter isso tudo alinhado já no início da jornada", disse Alexandre Leão (Sócio - Crescera Capital).

 

Desafios de Policy no ambiente de Startups

Com Bruno Lewicki (Global Policy Director Airbnb) e  Ana Pellegrini (Vice President Lega/General Counsel and Head of Diversity and Inclusion l Quinto Andar), com moderação de Barbara Rosenberg (BMA) e Ana Cândida de Mello Carvalho (BMA)

O painel se debruçou sobre uma questão importante: como a atividade da sua startup se envolve no ambiente regulatório? Para isso, é importante pensar nos diferentes níveis de regulação que o negócio vai exigir em cada esfera, seja ela municipal, nacional ou até internacional.

Durante a conversa, os palestrantes explicaram que, mesmo em startups, é preciso ter um time ou ao menos uma pessoa encarregada pelo policy. Dessa forma, é possível ajudar o regulador a entender o core da empresa para que a atividade seja regulada de forma justa. É relevante, ainda, ter uma base de dados que demonstre o impacto que seu negócio traz para a região que está atuando.


Governança nas startups

Com Grenfel Calheiros (Partner - Simpson Thacher & Bartlett LLP) e George Weston (Sócio – Harneys), com moderação de Ian Bussinger (BMA) 

O painel de encerramento do BMA Startup Day no Rio de Janeiro tratou sobre um tema muito relevante e, às vezes, negligenciado no início da criação de uma empresa: a governança. Ter uma governança bem estruturada desde o começo garante um caminho com menos percalços para as startups. Durante a conversa, os debatedores dividiram suas experiências sobre o assunto.

 

Foundraising: O que saber e como estar preparado

Com Alexandre Mello (Sócio-fundador Big Bets) e Luís Henrique Costa (Sócio – BMA), com moderação de Pedro Serqueira (BMA)

Como mostrar o valor do seu negócio para atrair investidores? Como se mostrar um negócio sustentável? Essas questões nortearam o painel que encerrou o BMA Startup Day Conference em São Paulo. Durante o bate-papo, Alexandre Mello (Sócio-fundador Big Bets) e Luís Henrique Costa (Sócio – BMA) lembraram que as políticas monetárias para conter a pandemia também ajudaram a atrair investimentos para o país e que é essencial que negócios que já estão rodando consigam manter tração e constância.