Chico Müssnich faz balanço do modelo das SAFs em entrevista para a Veja Rio
Pelo menos 25 clubes brasileiros (entre todas as divisões) já aderiram ao modelo da Sociedade Anônima de Futebol (SAF). Com a expectativa de salvação para a saúde financeira de muitos times, o modelo vem se popularizando cada vez mais. No entanto, em um ano de altas expectativas, a realidade esportiva acabou ficando abaixo do esperado.
Em entrevista ao Veja Rio, nosso sócio Chico Müssnich, da área de Societário e M&A, traçou um panorama sobre as SAFs, apontando também aspectos de amadurecimento necessários para o modelo. Nosso sócio foi entrevistado ao lado do também advogado e professor Job Gomes, com quem coordena a pós-graduação em Direito Desportivo da PUC-Rio. Confira alguns trechos do bate-papo abaixo:
Como as SAFs estão se saindo?
"Ainda estão se consolidando. Nada assim é construído da noite para o dia. Elas caminham bem. Com gestão profissional, saneamento financeiro e investimentos, as SAFs criam condições para se constituir o chamado ciclo virtuoso: mais receitas geram melhores times, melhores produtos, que geram mais receitas…"
A Sociedade Anônima se torna imprescindível, no futebol brasileiro, para se conquistar o tal círculo virtuoso?
"Eu diria que, em geral, sim. Sem as SAFs, ficaria impossível clubes extremamente endividados, como Vasco e Botafogo, atingirem esse ponto. O Flamengo é uma exceção. Sua arrecadação de recursos gigante, derivada da imensa torcida, permite construir o círculo virtuoso sem recorrer ao modelo de SAF no curto prazo. "
O novo Mundial de clubes, programado para meados de 2025, com 32 participantes, incluindo Flamengo, Fluminense e Palmeiras, seria um esboço dessa, digamos, ordem global emergente?
"Sim, por isso a participação dos brasileiros é importante. O Fluminense acabou se infiltrando ali na hora certa. Logicamente, não bastam grandes histórias e grandes torcidas para atingir e sustentar um alto rendimento esportivo e econômico na elite do futebol. É necessária uma gestão efetivamente profissional, assim como um ecossistema de negócios confiável e atraente aos investidores, condições propiciadas pelas SAFs."
Que lições as SAFs extraem da temporada 2023? Que aperfeiçoamentos são necessários para elas corresponderem, o quanto antes, à expectativa do torcedor?
"Uma das lições da temporada refere-se ao peso crucial de um treinador que represente e pratique a busca constante por excelência profissional. Ele é o maestro da orquestra. Luís Castro desempenhava muito bem esse papel no Botafogo. Sua saída foi determinante ao declínio da equipe. Outro ponto não menos estratégico está associado à eficiência na contratação de jogadores. Ela precisa ser aperfeiçoada, com o trabalho de profissionais experientes nessa área. Outro aprendizado diz respeito à relação entre a SAF e o clube, a associação esportiva, que continua com as suas dinâmicas políticas."
>>> Leia a entrevista na íntegra na coluna Esquinas do Esporte, da Veja Rio