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Livro "Energia: reflexões e perspectivas" é lançado com debate virtual; reveja o bate-papo e faça download

05.06.2020 6 minutos de leitura
 


Com uma matriz energética diversificada e alterações regulatórias favoráveis ao mercado, o setor de energia no Brasil vive um momento de muita força. Mesmo que a expectativa de que uma forte crise abata o país e o mundo por causa da pandemia da COVID-19, ainda assim, o mercado de energia brasileiro demonstra muita potência, com possibilidade de reinventar-se e ajudar o país a minimizar as dificuldades que possam surgir.

Para discutir as múltiplas oportunidades ofertadas pelo setor energético brasileiro sob as perspectivas de lideranças dos setores público e privado, acadêmicos e especialistas, o BMA se uniu ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) para viabilizar a publicação "Energia: reflexões e perspectivas".  O livro, que está disponível para download clicando aqui, contou com a coordenação editorial de um grupo do qual faz parte Carlos Frederico Bingemer, nosso sócio de Óleo e Gás, e apoio técnico da Catavento Consultoria. A publicação conta ainda com um artigo assinado por Márcio Pereira, nosso sócio de Ambiental

"Essa publicação com o CEBRI é um sonho antigo. A gente tem muita confiança no setor de energia brasileira. Teremos um desenvolvimento claro e contínuo nos próximos anos. Os desafios são grandes, mas vamos conseguir superar. Esperamos que essa publicação seja inspiradora para os debates que teremos", comentou Bingemer no discurso que abriu o debate virtual, que levou o mesmo nome do livro e foi promovido pelo CEBRI na quarta-feira, 3/6. Além do sócio do BMA, participaram da conversa Jorge Camargo (vice-presidente do Conselho Curador do CEBRI), Luis Henrique Guimarães (CEO da Cosan) e José Firmo (CEO da Porto do Açu), todos também articulistas da publicação. Coube a Clarissa Lins, sócia fundadora da Catavento Consultoria, e Julia Dias Leite, diretora executiva do CEBRI, fazer a mediação.

Em "Energia: reflexões e perspectivas", o leitor caminha por três grandes eixos temáticos atuais e pertinentes para compreender o status atual do setor energético. "O primeiro é a questão da transição energética e descarbornização da economia, que é foco de qualquer discussão dessa natureza. A outra discussão que tentamos abarcar foi a diversidade do setor energético brasileiro. O terceiro ponto é que não há setor energético forte se não houver mecanismos de investimentos que permitam um investidor privado participar e desenvolver a indústria energética ", pontuou o sócio do BMA. "A pandemia pegou o setor de energia duplamente, mas também, ela nos remete a uma série de reflexões sobre tendências de longo prazo que podem perder algum ritmo, mas não a direção", completou Clarissa Lins, que editora executiva do livro.

 

INVESTIMENTOS EM UM MUNDO PÓS-PANDEMIA

É justamente sobre oportunidades de investimento que trata o capítulo assinado por Carlos Frederico e Adriana Lontra, advogada do BMA da área de Óleo e Gás. Intitulado "Oportunidade de investimentos no setor de energia", o artigo pretende traçar um caminho para o setor no Brasil, mesmo com os efeitos sofridos por conta da pandemia. "A gente continua com a mensagem positiva. Achamos que o Brasil ainda tem muito que capturar. No curto prazo, certamente, esse momento de distress vai fazer com que empresas que possam ter dificuldades de caixa e revisão dos seus planos, mas as oportunidades existirão", ponderou Bingemer.

O sócio do BMA e coordenador da publicação lembrou ainda que o país já vinha em um caminho de desburocratização e busca por investimentos estrangeiros, que pode se tornar mais lento com a realidade imposta pela COVID-19, mas que não deixará de existir. "Combinado com isso a gente tem também os leilões que já foram anunciados, em razão da pandemia alguns foram suspensos, mas certamente retornarão. E a gente espera que isso também crie oportunidade muito clara para o investidor privado, de forma que a gente consiga ter um setor de óleo e gás, biocombustível, fontes renováveis seguramente desenvolvido", resumiu.

 

CONJUNTURA E REINVENÇÃO

O momento do setor energético no Brasil era realmente especial pré-coronavírus. Mesmo que o mercado de óleo e gás estivesse sofrendo oscilações derivadas de disputas entre os maiores países produtores, a expectativa em torno dos leilões e das múltiplas oportunidades de negócios fora do universo do petróleo no país era alta. Jorge Camargo, autor do capítulo sobre "A Geopolítica da energia em transição", que abre a publicação, precisou reescrever seu artigo algumas vezes, já que a conjuntura global mudou rapidamente. No entanto, o vice-presidente do Conselho Curador do CEBRI enxerga a pandemia como um momento para reduzir a velocidade das transformações, permitindo mudanças mais profundas no setor.

"Esse desarranjo de oferta e demanda é conjuntural, ele tende a ser normalizado com a normalização da atividade econômica. Mas essa pandemia vai servir como um diminuidor do ritmo de tendências, que vão causar uma profunda transformação no setor de energia em geral, na nossa relação com energia e na relação da energia com o meio ambiente", disse ele, que pontuou ainda que a demanda por uma transição energética para um modelo menos dependente do petróleo é o grande desafio atual. "E o que essa pandemia pode trazer para esse debate de redução de emissões? É possível que isso venha mais forte no debate climático. Vamos ouvir mais os cientistas? Por outro lado, para haver uma transição energética é preciso uma coordenação global, e com essa pandemia, vimos uma desglobalização", assinalou o especialista.

Luis Henrique Guimarães, autor do capítulo "Brasil na vanguarda dos biocombustíveis", fez coro ao dizer que a pandemia deve agilizar a tomada de medidas para ajudar a desacelerar o aquecimento global. "A pandemia vai acelerar a transação energética, a preocupação com a mudança climática, da mesma maneira que ela acelerou a digitalização", contou ele, que lembrou ainda que o Brasil é líder na área de biocombustíveis e que acredita que o setor já está se reinventando.

Essa será a palavra-chave para enfrentar a crise econômica esperada após meses de paralização mundial para enfrentar o coronavírus. A oportunidade de inovação para os setores e bastante clara, pelo menos aos olhos de José Firmo. "Para a indústria de serviços, há uma grande pergunta: é possível inovar uma vez mais e entregar mais eficiência para a indústria ou chegou-se no seu limite técnico? Não me atreveria a dar uma resposta definitiva, mas esse seria o nosso maior dilema nos próximos anos", considerou ele, que assinou o artigo sobre "Oportunidades para a cadeia de suprimentos da Indústria de Óleo e Gás brasileira". 

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Crédito da imagem: BMA/CEBRI/Catavento Consultoria