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Plano Nacional de Mineração 2050: principais diretrizes e pontos de atenção para o setor mineral

21.01.2026 4 minutos de leitura

O Ministério de Minas e Energia (MME) instaurou, em 9 de janeiro de 2026, a Consulta Pública nº 211/2026, referente à minuta do Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050). As contribuições poderão ser encaminhadas até 8 de fevereiro de 2026, por meio do Portal de Consultas Públicas do MME (disponível aqui)  ou da plataforma Brasil Participativo (disponível aqui). O PNM 2050 sucederá o Plano Nacional de Mineração 2030, incorporando os avanços institucionais e regulatórios observados na última década, bem como buscando corrigir fragilidades identificadas no plano anterior.

O Plano Nacional de Mineração constitui o instrumento estratégico de longo prazo para a organização do setor mineral brasileiro, com horizonte de até 30 anos. O documento integra a Política Nacional de Mineração, instituída pelo Decreto nº 11.108/2022, ao lado do Plano de Metas e Ações, voltado ao estabelecimento de metas, ações e projetos de curto prazo, com vigência de até seis anos.

O PNM 2050 foi elaborado com base em cinco cadernos de estudos, produzidos com a contribuição do MME, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de diversas instituições acadêmicas e pesquisadores voluntários. Esses dossiês contemplam diagnósticos sobre: (i) o conhecimento geológico nacional; (ii) a pesquisa e a produção mineral; (iii) as cadeias produtivas de minerais relevantes para a transição energética; (iv) a competitividade da indústria mineral brasileira; e (v) as condições necessárias para o desenvolvimento sustentável do setor.

A minuta submetida à consulta pública reafirma o compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento do setor mineral de forma sustentável, justa e participativa. Trata-se da segunda versão submetida à análise popular, a primeira após a vigência da Resolução CNMP nº 5/2025, que estabeleceu diretrizes para elaboração do PNM. O documento também evidencia o esforço estatal em estruturar políticas públicas fundamentadas em dados técnicos sólidos, sistematizados e analisados.

A participação da sociedade, em especial do setor regulado, é essencial para a consolidação do PNM 2050, considerando que o plano orientará as políticas públicas do setor mineral brasileiro no longo prazo. Este informativo apresenta, a seguir, uma síntese dos principais pontos da minuta.

 

Estrutura do PNM 2050

O PNM 2050 está ancorado em três pilares fundamentais:

  1. Sustentabilidade e Valor Social: integração efetiva dos aspectos sociais e ambientais às atividades minerárias, com ênfase no papel da mineração como vetor de desenvolvimento sustentável e de geração de benefícios duradouros para os territórios onde se insere;

  2. Aproveitamento Responsável dos Recursos Minerais: promoção do conhecimento geológico, do avanço tecnológico e do fortalecimento das cadeias produtivas, com especial atenção aos minerais críticos e estratégicos, assegurando seu aproveitamento eficiente e responsável; e

  3. Governança Estratégica: reforço das capacidades institucionais, aprimoramento do arcabouço regulatório, adoção de práticas robustas de integridade e qualificação da comunicação institucional. 

O plano organiza ainda os desafios e políticas públicas que visam seu endereçamento em 9 temas transversais:

  • Responsabilidade Socioambiental

  • Mineração com Valor Social

  • Conhecimento Geológico e de Recursos Minerais

  • Pesquisa Mineral e Desenvolvimento da Produção

  • Minerais Estratégicos para a Transição Energética e Segurança Alimentar

  • Mineração, Tecnologia e Agregação de Valor

  • Governança e Integridade na Mineração

  • Ambiente Regulatório e Oportunidades de Mercado

  • Imagem e Comunicação Institucional

 

Pontos de atenção

Ambiente regulatório e segurança jurídica

O PNM 2050 estabelece como desafio prioritário o aprimoramento do ambiente regulatório e institucional para ampliar a competitividade do setor. As diretrizes incluem:

  • Maior previsibilidade, coerência clareza nos processos e procedimentos;

  • Fortalecimento da coordenação entre órgãos federais, estaduais e municipais;

  • Ampliação de mecanismos de transparência e estabilidade em decisões do setor mineral;

  • Implementação de mecanismos de monitoramento da qualidade regulatória.

  • Redução de entraves regulatórios à mineração em faixas de fronteira, conciliando segurança nacional com desenvolvimento regional

 

Responsabilidade Socioambiental

O PNM 2050 reforça a integração dos princípios ESG às práticas e políticas do setor mineral. As principais diretrizes incluem:

  • Estímulo à adoção de práticas ESG alinhadas às melhores normas internacionais;

  • Desenvolvimento de programas de apoio técnico e regulatório para empresas;

  • Aprimoramento da regulamentação de fechamento de mina, com foco em recuperação ambiental;

  • Estímulos à econômica circular e à segurança de estruturas minerárias;

  • Criação de guias nacionais de boas práticas.

 

Minerais Críticos e Transição Energética

O PNM 2050 posiciona os minerais críticos e estratégicos como elemento central da agenda setorial, visando aproveitar a demanda global por insumos para tecnologias de baixo carbono (lítio, cobre, níquel, grafita, cobalto, terras raras), bem como assegurar a segurança alimentar brasileira. As diretrizes contemplam:

  • Intensificação do levantamento geológico com foco em minerais críticos;

  • Estímulo à expansão de projetos em andamento;

  • Programas de capacitação e inovação tecnológica;

  • Fortalecimento das cadeias de insumos para fertilizantes;

  • Aperfeiçoamento do marco legal de minerais nucleares.

 

Financiamento do Setor Mineral

O PNM 2050 reconhece as limitações de financiamento como entrave à competitividade do setor, destacando que parcela significativa dos investimentos em pesquisa mineral tem sido viabilizada por capital estrangeiro. As diretrizes incluem:

  • Ampliação de mecanismos de financiamento e instrumentos de crédito, com atenção especial a pequenas e médias empresas;

  • Fomento a fontes alternativas de financiamento, inspiradas em experiências internacionais (mercado de capitais, fundos especializados, royalties e streaming);

  • Fortalecimento de mecanismos nacionais de financiamento para reduzir dependência de recursos externos;

  • Estímulo à inovação e expansão da capacidade produtiva.